Nota de Introdução

Este blogue destina-se a alimentar o espírito com questões fundamentais da vida social que não são por norma ventiladas em público e muito menos pelos órgãos de comunicação social. São pequenos e breves textos que tentam alimentar o intelecto dos mais atentos dando o toque de saída para boas cavaqueiras sobre temas do interesse de uma minoria de cidadãos que se interessa por estas coisas.

As publicações vão sendo feitas segundo a disponibilidade. Alguns artigos terão sido escritos muito anteriormente à data da sua publicação. Factores a considerar são a revisão dos textos que, por vezes, demora mais do que o tempo para os escrever, a pesquisa necessária para os elaborar e condensar em textos curtos, e, ainda, seleccionar textos escritos há alguns anos, sendo necessária uma busca por diversos blocos de notas armazenados em caixas.

Rogério Ferreira

Aditamento à Introdução

Comecei a escrever para soltar a mente em momentos solitários e manter a minha sanidade mental num mundo tresloucado.

Acabei por tomar o gosto à escrita e hoje é um passatempo que tenho.

O aparecimento da Internet veio abrir novos horizontes a que eu não teria de contrário tido acesso.

A minha escrita evoluiu e tive de abrir três blogues temáticos diferentes.

Este espaço dedicado à publicação esporádica de textos de síntese opinativa não consensual inclui temas controversos com o propósito de aguçar e alimentar a mente dos mais críticos, livres de preconceitos, que sintam que algo – além do óbvio – está errado na sociedade.

Algumas ideias aqui expressas podem ferir susceptibilidades pelo que fica o aviso.

Junto neste mesmo espaço outro tipo de textos que fui escrevendo para publicar noutros blogues dedicados que criei há uns anos mas onde não posso entrar porque nunca mais lá fui e agora não encontro o bloco onde guardei as palavras-passe e endereços electrónicos.

Alguns dos textos publicados são adaptados de anedotas que marcaram, outros de sinopses de filmes que vou seleccionando daqueles que vi. Os textos humorísticos pertencem ao blogue Fora de Sério. Os textos de sinopse pertencem ao blogue Fitas Coloridas e Filmes a Preto e Branco.

Os textos que escrevi em inglês serão publicados num outro blogue à parte para substituir Uncanny Perception – Food for Thought, criado em 2012, até ver se encontro a respectiva palavra-chave e endereço electrónico associado.

A notícia do desaparecimento em 2019 do comprimido Migraleve do mercado farmacêutico levou à antecipação da publicação deste novo blogue intitulado Saber Ler Entrelinhas, que vem de momento substituir os blogues por mim criados anteriormente.

O comprimido Migraleve Rosa era o único comprimido específico para tratar e prevenir a enxaqueca e tinha a vantagem de ser de baixo custo, e sem grandes contra-indicações – não dispensa pesquisa.

O nome Migraleve deriva de “migraine” que significa enxaqueca em inglês.

O adiamento da publicação destes textos nos seus devidos blogues deveu-se à perda do meu livrinho onde estavam as palavras-chave e respectivos endereços electrónicos dos blogues.

Entretanto criei este.

É o que acontece quando damos o mesmo endereço electrónico para vários blogues – perde-se uma palavra-chave e é-nos enviada substituição para entrada num outro blogue para o qual já temos acesso.

É o caso.

Boa leitura!

Nota:

Não tenho por hábito referenciar citações com ligações (links) a menos que ache necessário porque parto do princípio de que o estimado leitor fará a pesquisa que bem entender daquilo que escrevo a partir das referências contidas nos textos.

Saber Ler Entrelinhas

Aproveitando o advento da Internet, resolvi criar este blogue em português dando o meu contributo à língua portuguesa numa altura em que ela sofre uma crucificação permanente pelos seus falantes, em geral, que não se dão ao trabalho de a falar correctamente, honrando assim esta língua, e também para os leitores em Portugal, nas comunidades portuguesas e de expressão portuguesa.

Existe muito material escrito em inglês em matéria daquilo que é politicamente correcto e o seu impacto negativo na liberdade de expressão e consequente desenvolvimento de pensamento crítico no mundo ocidental actual mas muito pouco em português.

Andámos a adquirir direitos durante o Século XX para andarmos a perdê-los no Século XXI.

O estado canadiano, por exemplo, resolveu passar leis que ditam como devemos falar (novos pronomes relativos ao tratamento de pessoas com tendências sexuais diferentes que devem ser tratadas com o uso de pronomes adequados à sua condição).

A língua evolui naturalmente e não por decreto.

Faço-o também, depois de ter criado blogues em inglês, para dar o meu contributo à língua portuguesa e tentar manter viva a chama da sua ortografia na sequência da crucificação que sofreu com a nova imposição por decreto do novo “acordo”.

Aqui, o leitor que não domine a língua inglesa e também pelo prazer de ler em português terá a oportunidade de ler o que escrevo em inglês e que irei traduzindo.


Não escrevo em “acordês” porque não sigo o (des) acordo ortográfico.


O estado do mundo (zeitgeist) nos tempos que correm resume-se a um ataque feroz à intelectualidade e liberdade de expressão, sobretudo no mundo ocidental, que se revela perniciosamente de várias maneiras, mas sempre em nome da “igualdade de direitos”.

Isto é feito através de uma engenharia social modificando o comportamento humano de forma a piorar as condições de vida do Homem com o pretexto de uma melhoria de vida.

Este fenómeno manifesta-se, por exemplo, através do politicamente correcto e da justiça social, entre diversas outras maneiras, sendo uma delas o feminismo, que nada tem a ver com igualdade de oportunidades mas sim com o fim da masculinidade, assim como a imposição de valores de entidade colectiva (tribalismo) em detrimento dos valores do indivíduo.

A competitividade é valorizada em oposição à entreajuda para o bem comum.

Caminhamos a passos largos para um mundo desprovido de valores fundamentais de conduta, como o respeito e a família como base do equilíbrio individual e social, entre outros valores essenciais para uma vida em paz e harmonia.

Surgem agora no meio do caos social que atravessamos pensadores que analisam este fenómeno social e nos orientam, como Jordan Peterson, entre outros, tentando ajudar-nos a sair do marasmo social em que fomos mergulhados e a manter a sanidade mental necessária para restabelecer a ordem nas nossas vidas tirando sentido do caos que tem vertiginosamente vindo a assolar a nossa sociedade colocando a maioria das pessoas a funcionar em piloto automático.

Jordan Peterson é psicólogo clínico e professor universitário no Canadá, tem palestras no YouTube, escreveu o livro 12 Regras para a Vida, e tem sido entrevistado por convite em todo o mundo e sistematicamente debaixo do fogo da comunicação social ocidental instalada e das minorias radicais extremamente organizadas, e com demasiado poder, que o acusam de destabilizar a ordem social.

Espero poder contribuir com estes pequenos textos para um mundo melhor, livre de constrangimentos desnecessários que só atrofiam o desenvolvimento e asfixiam a mente.

Rogério Ferreira

Os Caminhos da Música

Um dia destes tropecei (em digressão pelo Youtube) numa entrevista dada a Elis Regina – 5 de Janeiro de 1982 – convidada do programa Jogo da Verdade apresentado pelo jornalista Salomão Espera, em que Elis falava das políticas desta indústria daquela altura, mal sonhando ou talvez adivinhando o que aí vinha. Seja como for, se Elis visse como funciona hoje a indústria musical, morria novamente.

O Bando de Jesse James

Bom Título, bons actores, boa música – Ry Cooder – a par de um bom argumento e uma boa realização de Walter Hill, este filme, intitulado The Long Riders, é baseado numa versão romântica da biografia de Jesse James.

Ry Cooder faz uma excelente recolha selectiva do folclore norte-americano alusivo à época com os músicos escolhidos também a dedo entre os melhores, onde ele próprio está incluído. Embora nem todos os temas tenham saído na primeira edição da banda sonora, os que a integram deliciam o ouvido atento dos audiófilos.

O bando é representado por David, Keith e Robert Carradine, Dennis e Randy Quaid, James e Stacy Keach, estes últimos também produtores executivos do filme, ao lado de um elenco e figurantes de luxo.

Toda a encenação e fotografia é de alta qualidade para a época, embora o filme seja de 1980.

Os efeitos especiais eram inéditos à data, nomeadamente a sequência em câmara lenta na cena de fuga do assalto final a um banco – imagem de marca de Walter Hill.

Este filme de “cowboys” é daquelas obras-primas que se adquire para rever de vez em quando. Pode não ser do agrado de todos mas é com certeza um excelente filme.

Fica a sugestão.

Trá-la Cá

Um amigo desabafa para o outro:

– Estou com uma dor de dentes que nem imaginas.

– Sabes o que é que eu faço para passar a dor quando me doem os dentes?

– Não. Aaaaaaai…

– Dou uma cambalhota com a minha companheira e a dor passa num instante!

– Trá-la Cá!

Minuto de Silêncio

Um minuto de silêncio é a resposta normalizada dada pelos responsáveis europeus a um ataque terrorista contra europeus em território europeu.

Impõe-se saber a razão que leva os responsáveis a não reagir uma vez que os terroristas estão identificados.

Quais os interesses subliminares.

Este tipo de situação legitima as populações europeias a revoltarem-se e criarem partidos de direita para que possam legitimar a defesa dos seus territórios.

Certamente que os familiares dos falecidos ficam confortados com os vários minutos de silêncio que lhes são oferecidos. Os mortos já não podem agradecer pelos minutos de um silêncio escusado.

Este tipo de situações aparentemente inexplicáveis dão origem a teorias conspiratórias por parte do público à procura de lógica neste tipo de comportamento intransparente por parte dos responsáveis pelos estados ditos democráticos.

Em Pleno Voo

Após uma descolagem de sucesso, o comandante de bordo congratula-se através do microfone da aeronave desejando uma boa viagem aos seus passageiros, entre informações úteis que lhes dá sobre o voo. Só que, deixa o microfone ligado por esquecimento.

Em seguida, vira-se para o co-piloto e diz: “Agora sabia bem uma boa queca e um cafezinho!”

A frase ecoa pela cabine.

Uma das hospedeiras levanta-se e desata a correr para desligar o microfone.

Um passageiro afoito diz à hospedeira ao mesmo tempo que esta passa por ele: “Ó menina, não se esqueça de levar o cafezinho!”

El Sombrero

Este texto baseia-se numa anedota que me foi contada e que está entre as melhores que já escutei fazendo parte da minha colecção e que aqui partilho para a posteridade.

Numa vila mexicana assistia-se a uma missa. Nisto, entra um mexicano com um chapéu típico à procura de lugar para sentar-se. À medida que ele avança pelo corredor central, as senhoritas vão exclamando “Mira, hombre! El Sombrero!” a que ele responde “Si, si!” enquanto caminha.

Ele esquecera-se de retirar o chapéu pois estava dentro de uma igreja.

“Mira! Mira! El Sombrero!” – “Si, si!” E por aí adiante.

Isto acontece uma série de vezes até que ele resolve ir até ao altar.

Quando lá chega, pede ao padre o microfone, vira-se para as pessoas sentadas e diz:

“A petición de varias familias voy a cantar El Sombrero!”

Feijoada “Há” Brasileira

Há uns anos, fui a um restaurante e vi na lista que havia “feijoada há Brasileira”.

Quando o empregado veio à mesa segunda vez para atender o pedido, perguntei-lhe se havia brasileiras na feijoada.

Primeiro, ficou sem perceber mas depois lá sorriu, quiçá para cumprir apenas com a boa educação.

Já vi também o “a” com acento para trás e para a frente indiscriminadamente. Penso que, na dúvida, abana-se a ementa e o acento cai para a posição correcta.

Além de nos podermos deliciar com a excelente gastronomia portuguesa, alguns de nós têm ainda o prazer acrescido de se deleitarem, enquanto esperam, com as gralhas que a enunciam nas ementas, cortesia da despreocupação dos portugueses em relação à sua língua.

O excelentíssimo leitor pensaria talvez que, na dúvida, um responsável por uma casa de pasto informar-se-ia ou pediria a alguém que soubesse para elaborar uma ementa sem erros ortográficos antes de a apresentar ao público cliente do seu estabelecimento gastronómico por causa do mau aspecto.

Mas, que se “lixe” o mau aspecto pois ninguém manda ninguém ser esquisito.

Blogging

O advento da Internet trouxe uma nova forma de literatura – o blogging ou a escrita de opinião (mais ou menos periódica) em suporte digital e carácter pessoal extensiva ao cidadão comum o que até aqui era privilégio de jornalistas e comentadores.

Agora, portanto, a opinião “crítica” do cidadão comum pode ser acedida por todos – ou quase todos.

Inicialmente, a Internet era um espaço livre de pensamento até mais recentemente o espírito que a caracterizava ser reduzido ao politicamente correcto – na era de Obama – através da censura pelos algoritmos das plataformas sociais que, embora se autodefinam como justiceiras, não o são de facto.

Alguns anos depois, governos autodefinidos como democratas acertaram o passo com a tecnologia de informação e começaram a censurar, tal como as ditaduras, o que é escrito pelo cidadão comum e que não esteja de acordo com a política vigente.

No caso de o cidadão ser incomum as medidas são substancialmente mais gravosas como no caso de Julian Assange que foi uma gota de perfume deitada no vastíssimo charco da pseudo-informação dominado pela comunicação social instalada.

Assange tem estado a viver numa espécie de limbo desde que foi corrido em 2019 da embaixada do Equador em Londres onde pediu asilo político em 2012 e está sujeito a ser extraditado para os Estados Unidos a qualquer momento onde será julgado (?) e onde, quase de certeza, o esperam carrascos assustadores de toda a espécie, se ele não se suicidar entretanto.

Ninguém fala sobre isto – e muito menos comenta – na comunicação social, que, supostamente, é o veículo da informação.

Assim são tratados os cidadãos – incomuns – defensores de direitos humanos, caso não escapem entretanto para zonas de conforto, enquanto elas existirem neste planeta – como foi o caso de Edward Snowden.

As Lições da Pandemia

De origem natural ou fabricado pelo Homem, o vírus SARS-CoV-19 – ou Covid 19 (Coronavirus Disease 2019) em linguagem corrente – veio invariavelmente provocar uma pandemia com baixas cirúrgicas nas populações, mas veio sobretudo ensinar muita gente a viver com mais… Higiene.

O pior dos maus hábitos que mudou foi o de não se lavar as mãos antes e depois das refeições, o qual há muito se tinha perdido, tal como o hábito de deixar dedadas em balcões de vidro que têm vindo a estar cada vez mais na moda.

Graças a este vírus, um dos principais meios de evitar a nossa contaminação por ele é precisamente através da lavagem frequente das mãos.

Portanto, a partir de agora, pelo menos até as pessoas se esquecerem desta pandemia, toda a gente vai lavar as mãos antes e depois de comer, e não apenas os obsessivo-compulsivos.

Um aspecto negativo desta pandemia, não por parte do vírus mas por parte da raça humana, será, tal como acontece com o plástico, a questão das sementeiras de máscaras em tudo o que é sítio, infelizmente, visto que o animal que é o ser humano não é digno de ser chamado animal pois é o único animal que suja por falta de respeito pelos outros animais e pela Natureza.

Depois da pandemia, será tão triste a sequela deixada pelas pessoas que descartam as máscaras de qualquer maneira como a sequela deixada pelo próprio vírus.